A floresta de pelúcias
Havia uma raposa errante
Sua pelugem, vermelha, era gritante
Num dia, encontrou o chacal
“Quero que me leve a seus iguais”
Afinal, relações especiais são assim
Chegando numa ravina, o chacal reclamou
“Me diga onde estão”
A raposa se assustou
O sorriso dele se perdeu no caminho?
De lá, partiu sem olhar
Mas jurava ouvir o uivo dolorido dele
Ele encontrou um peixe
Implorando por piedade, disse
“Eu te protegerei enquanto viver”
Os olhos do peixe reluziram
Após algum tempo, pensou
“Raposa, raposa, faça pra mim você em pelúcia!”
A resposta sempre esteve presente, pra que se
tornar utilidade?
Talvez não queria seu amor
Algodão em algodão, a raposa ficou
conhecida como artesão
Sua pelugem acabou marcada,
rasgada e fraca
Doeu tanto que seus pés mal
atingiam o chão
Sujou a grama de vermelho com
cada grama de algodão
Coitada da raposa
Riem da ingênua raposa
Soquem a fraca raposa
Renomeiem a pequena raposa
De animal em animal, a [ ]
colecionou cicatrizes
Até que desfaleceu num tronco
Pela primeira vez viu alguém novo
E dessa vez ela não sabia o que fazer
Suas patinhas não alcançavam a agulha
Tudo que podia era imaginar
A brisa de verão que sentiria se de galho
em galho pudesse pular
A floresta de cima, olhar
Agora já não era raposa
Foi renomeada
Justificada
Pronta para reclamar a vida, respondendo
apenas seu novo nome
E ela morreu, sorrindo, pensando nisso
Até ele cair do galho
Sobre o seu colo, fazer abrigo